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CRÍTICA | Homem-Aranha: Longe de Casa


Servindo como um epílogo para os eventos de Vingadores: Ultimato, e encerrando a Fase 3, Homem-Aranha: Longe de Casa ou simplesmente só 'Longe de Casa' ou 'Homem-Aranha 2', tem tudo aquilo que faz a gente gostar desse universo tão grandioso que a Marvel criou ao longo desses 11 anos: aventura, batalhas épicas, humor no ponto certo e cenas cativantes que te fazem abraçar o elenco. Essa segunda aventura do Amigão da Vizinhança produzida pela Marvel Studios ainda traz um desenvolvimento de personagem interessantíssimo para Peter (Tom Holland).

O diretor Jon Watts e os roteiristas Chris McKenna e Erik Sommers conseguiram trazer mais uma vez aquela sessão de estar vendo um bom filme da Sessão da Tarde. As férias de Peter Parker pela Europa, lutando contra criaturas elementares ao lado de Mysterio, deixaria diretores como John Hughes e Cameron Crowe mais do que orgulhosos, porque, mais do que um filme de super-heróis, estamos diante de uma coming-of-age story. Algo que fica óbvio quando olhamos para as referências de Jon quando estava filmando Homem-Aranha De Volta ao Lar (2017).


Com a melhor atuação de Homem-Aranha/Peter Parker dos cinemas, Tom Holland é a alma do longa. Seus olhos marejados não deixam dúvidas sobre a autenticidade e o amor do ator com a franquia. Zendaya ganha destaque no papel de M.J. e não desaponta, já que sua performance despojada casa perfeitamente este novo tipo de “mocinha” que não se esconde e grita na presença do perigo, pelo contrário, encara monstros com uma massa de batalha. Gyllenhall, Jackson e Jon Favreau (Happy Hogan) são os alicerces adultos precisos para a aura jovial do longa.

Esteticamente, o filme dá um salto em relação à visão tradicional apresentada em De Volta ao Lar (2017). Aliado ao diretor de fotografia Matthew J. Lloyd (Capitã Marvel), Watts entrega algumas sequências visualmente incríveis, com ângulos retirados diretamente dos quadrinhos.

Homem-Aranha: Longe de Casa demonstra a mesma habilidade do anterior de conciliar os dramas de um jovem comum — algo peculiar do cânone de Peter Parker — com os "grandes poderes e responsabilidades" de seu alterego. Sem perverter a essência do personagem, e, sim, dramatizando a construção de seu juízo desde a adolescência. Mesmo quando dividido sobre o que fazer, Peter vive em um estado permanente de abnegação da vida pessoal enquanto seus amigos se divertem, se apaixonam e tiram sarro com a sua cara.



Por um lado, o roteiro apela à boa vontade do público na construção dessa reviravolta de Quentin Beck: adota o velho artifício do vilão que discursa sobre seus planos maléficos, exige uma dose de credulidade para convencer que Nick Fury (Samuel L. Jackson) se deixou enganar pela existência de uma realidade paralela (!) e ainda se desenrola de forma confusa (talvez até no intuito de evocar a confusão de Peter, o que ocorre de forma nada prática para o público e para narrativa em si), o que trunca o filme no meio.

Com um elenco coadjuvante brilhante, ESPETACULARES sequências de ação, clima adolescente nostálgico, vilões um tanto bobões, humor no melhor jeito Marvel de ser, uma trama que finaliza muito bem um grande ciclo e duas cenas pós-créditos que iniciam uma nova era, Homem-Aranha: Longe de Casa é mais um filme da Marvel que te diverte, te cativa e te entretém na medida certa para um momento certo.


NOTA: 9.5/10

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