Quando falamos no universo DC nos cinemas, é bastante comum que um friozinho bata na nossa barriga, isso porque não são todos os filmes que conseguiram agradar a crítica e o público. E com Aves de Rapina não poderia ser diferente, mas ainda bem que muitos dos que duvidaram estavam errados.

Como o título aponta, o filme é centrado na Arlequina (Margot Robbie), cuja incompreensão do término de seu relacionamento com o Coringa a levou ao fundo do poço, ainda que gastasse parte de seu tempo roubando, esmurrando e matando. Com a narração da protagonista, o espectador passa a acompanhar as consequências de sua vida após os acontecimentos de "Esquadrão Suicida", sem se preocupar em apontar o destino dos demais personagens. O roteiro então tenta 'enganar' o espectador e apenas relata que “o Coringa não quis mais o relacionamento” e se utiliza do fato de o personagem ser instável e louco para justificar o término.

Arlequina tenta se emancipar e por mais que o status de “namorada do Coringa” traga alguma segurança, ela quer viver sozinha, por si só. Ao entender a necessidade de estar sozinha, ela decide sair da sombra do ex, deixando a escuridão para trás, abraçando que, agora, tudo deve ser explosivo e colorido, com uma identidade própria. Enquanto se recupera do coração partido, a protagonista passa suas noites na boate de Roman Sionis (Ewan McGregor), cujo espaço em branco deixado pelo Coringa em Gotham o transforma no chefão do crime na cidade.



Infelizmente, a ótima atuação de McGregor é desperdiçada em um personagem raso e sem convencimento. As cenas com o Máscara Negra e seu comparsa Victor Zsasz (Chris Messina) derrubam o ritmo frenético que dita quase todo o filme.

Jurnee Smollet-Bell brilhou como a Canário Negro. Apesar do melhor ficar para o final, a atriz incorporou tão bem a versão da personagem, que é quase impossível vislumbrar outra pessoa para viver a heroína a partir de agora. Mary Elizabeth Winstead já é uma grande conhecida do público. E ela segue brilhando, agora como a Caçadora, que busca vingança e chega a ser cômica a sua apresentação por diversos motivos.

No fim, Aves de Rapina é como sair para beber sem moderação, mas acompanhado daquele amigo que lembra de tomar água e de se controlar. Na hora, você sente raiva porque só quer curtir, mas, no dia seguinte, agradece por ter feito as escolhas certas. No meio de um passeio frenético pela mente da adorada Arlequina em seu momento de empoderamento, o filme constantemente quebra sua onda lisérgica de alegria para nos lembrar que o mundo ainda é cruel com as mulheres e ainda há muito pela frente. Se a DC acertou? SIM! Acertou muito bem acertado nós diríamos! E agora, nós como fãs desse mundo louco dos nerds, pedimos para que a produtora (DC / Warner Bros.) siga nesse caminho, nos dando ótimos filmes, cada um com sua característica, sem precisamente fazer parte de um universo compartilhado como o MCU.