CRÍTICA | Control Z - 1ª temporada (2020, Netflix)


A Netflix já é uma especialista quando o assunto é produzir séries com teor adolescente. Sejam polêmicas como o fenômeno 13 Reasons Why e a febre do momento Elite, ou estrangeiras como Sangue e Água e Love 101. Agora, seu novo projeto mistura essas duas características em uma só: Control Z, recente produção mexicana da plataforma, recheada de novos talentos.

Control Z é clichê do começo ao fim. Por horas, lembra um capítulo de Malhação em que o vilão está encorajado a fazer qualquer coisa apenas para ver a mocinha longe do mocinho. Mas de alguma forma, mesmo na superficialidade como é entregue, ela consegue tocar em pontos importantes da sociedade que muitas séries atualmente não conseguem tratar.

Entrando mais na história, a jovem Sofia é aquela personagem que vive para descobrir quem é o assassino mascarado que atormenta seus amigos, mas aqui, a jovem é uma garota que prefere viver isolada, observar seus colegas, tocar sua vida sem muitas interações. Em paralelo a isso, ela ainda precisa lidar com uma trama repleta de vingança e ciúme de adolescentes. Com a chegada de Javier, ela encontra um aliado para desvendar o mistério sobre quem é o hacker – e o porque ele está fazendo isso.


Como um todo, o elenco funciona o necessário para levar a trama adiante, apesar de não ter nenhum destaque específico dentre eles, como foi caso contrário em Elite. Por mais que se trate de uma primeira temporada em que poucos personagens conseguem fugir dos estereótipos que representam na narrativa, sendo que o foco maior é apresentar esse novo universo. Porém, esse pode ser apontado como o maior defeito apresentado por Control Z.

A trama aborda questões que deveriam ser faladas de forma mais delicada, especialmente por ser uma série para o grande público. Por exemplo, os transtornos mentais de Sofia, que a levam a se cortar, são jogados como apenas mais uma característica da jovem, no mesmo grau em que ela é morena e antissocial. Neste e em outros casos mostrados na série, é válido conversar sobre esses tabus, mas não podem, de jeito nenhum, serem apenas salpicados para apimentar a história.

Porém, vale dizer que, ainda falando da personagem Sofia, as críticas e observações que ela faz das pessoas ao seu redor são bem interessantes, a ponto de mostrar que ao invés de acharmos que a trama é estereotipada, ela nada mais é do que o reflexo de um mudo em que adolescentes são e vivem estereotipados a todo instante.


Além disso, recomendamos que você preste bem atenção desde o começo, pois a entrega da identidade do hacker está sendo feita desde o primeiro episódio, sendo aplicado camada por camada diante do público. Inclusive, no sétimo episódio, que serve como um capítulo de flashback para explicar as motivações do criminoso, faz você se perguntar: "Nossa, como eu não tinha percebido isso antes?".

Só pra concluir, Control Z é uma maratona mais do que válida pra você nesta longa quarentena. Uma Gossip Girl um pouco mais adulta, com pontos relevantes de 13 Reasons Why e algumas pitadas de Elite.





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